His/estória 8 – percalços de um prédio recém-construído

E lá estávamos nós, recém-instaladas nas nossas incríveis 3 salas de aula. Nós tínhamos a impressão de estar no paraíso, totalmente inchadas de orgulho transbordante. Tínhamos colocado esteiras nas paredes, aquelas que a agente usava antigamente para ir à praia, anteriores as cangas, lembra? Medida essa = para não arranhar as paredes com as cadeiras, já que aluno ADORA se reclinar em cadeira, não é mesmo?

As esteiras davam um arzinho meio hippie as nossas salas, mas era show de bola para evitar os estragos. A ideia das esteiras partiu de nosso amigo Ronald Michahelles (filho de nosso fiador Alfred), que virou duas noites pregando comigo e com a Susi as mesmas nas paredes das salas de aula. Trabalho do cão!

Realmente, DESDE SEMPRE tivemos pessoas generosas e empenhadas em nossa jornada. Gratidão eterna sempre! Nossos alunos do Brasileiro de Almeida foram maravilhosos e nos acompanharam, portanto, a linda loura alta não era mais nossa única aluna. E, de fato as turmas abriram quase todas. Muita sorte nesse princípio. É claro que nós fizemos um esforço enorme, nenhuma das quatro sócias ganhava pelas aulas. Todo o dinheiro que entrava era para conseguir pagar as contas. Tínhamos turmas com apenas 2 alunos, mas nós queríamos e precisávamos funcionar. Tinham turmas muito cheias também, principalmente as que vieram conosco de Ipanema. Elas nos salvaram da falência. Acho que nós, se não tivermos sido as primeiras a ocupar prédio 635 da Rua Jardim Botânico, fomos um dos primeiros.

Muita coisa ainda não funcionava como deveria. Principalmente a instalação de luz. Já era ruim quando o elevador não funcionava, pois, havia 3 garagens antes de nosso andar, e os alunos subiam ao todo 5 andares de escadas. Mas isso ainda era pinto, perto do fato de que aula sem luz não rola, né? Como é possível dar aula de língua sem poder ouvir o som do gravador, sem ler o quadro, sem poder escrever? (na época ainda não havia vídeo, e muito menos computador).

Na primeira noite sem luz mandamos os alunos para casa. Mas essa situação não poderia perdurar, pois, não poderíamos suspender as aulas indefinidamente. A solução partiu de um aluno nosso, que sugeriu que comprássemos lampiões a gás. Não daria para ouvir o gravador, mas o restante poderia ser feito. E foi isso mesmo que fizemos, compramos os lampiões, e em várias noites demos aulas românticas a luz de lampião, como na roça! Quando eu penso em tudo o que nossos alunos toparam de coração aberto, fico espantada. A todos os nossos ex-alunos desse princípio de Baukurs eu quero agradecer. Não me lembro mais de todos eles, afinal a idade é inclemente. Mas quero citar alguns, para que a homenagem seja para todos.

A professora de história, que deu a sugestão do nome Baukurs, se não me falha a memória, o seu nome era Maria Lúcia. Nossa primeira aluna inscrita, Andrea (novamente se não me falha a memória) , que acreditou na gente, mesmo nos pegando mentindo descaradamente. Ela havia sido Miss Minas Gerais, uma belezura de mulher e de pessoa. Dom Eudes de Orleans e Bragança, isso mesmo, o príncipe brasileiro, foi nosso aluno e certamente nunca pensou que teria aulas de alemão a luz de lampião.

E finalmente um super-hiper-obrigada ao Dr. Luiz Alfredo Lami, sem o seu incentivo, sem a sua intervenção quanto ao nosso contrato social, o Baukurs não estaria hoje comemorando 40 anos. Toda gratidão a vocês!

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