Minha entrada no Baukurs

Eu era uma garota. Literalmente. Ainda com 17 anos, vindo morar no Rio, ufa, depois de dois infelizes anos em Campinas.

Feliz demais em retornar a tão amada cidade maravilhosa.

Em Campinas eu já havia tido uma curta experiência como professora de alemão no então recém fundado Instituto Hans Staden.

Um treinamento hiper wapt-wupt no Instituto Goethe de São Paulo, praa pelo menos saber, meio mais ou menos, a diferença entre o dativo e o acusativo. Mas assim, tipo, muito, muito “mais ou menos”.

Mas me encantei pelo universo do ensino, mesmo não querendo admitir, ADOREI dar aulas.

Mesmo sendo aulas de alemão, pois como filha de professora de alemão, tudo o que eu não queria era repetir a Dona Gertrudes!

Eu sonhava em ser atriz.

Claro, ser atriz é muito mais glamoroso, muito mais charmoso e com certeza muito mais atraente que seguir o caminho de minha mãe.

Mas o santo de minha mãe era mesmo muito forte. 4 entre 5 filhas se tornaram professoras de alemão, e uma até diretora de escola alemã!!!

Êta Dona Gertrudes!

Quando cheguei no Rio, minha irmã Susi me convidou para integrar o grupo de professores do Colégio Brasileiro de Almeida.

Havia uma vaga no grupo, pois o Ávila tinha decidido apostar no mundo alternativo de vez, e tinha (se não me falha a memória) mudado para Visconde de Mauá. Era o caminho dos iluminados da época, e nada mais coerente para o Ávila.

Quero aqui dizer que nunca conheci o Ávila pessoalmente, mas sempre simpatizei demais com ele, até porque sem ele, eu nunca teria integrado o time do então futuro Baukurs, né?  Viva Visconde de Mauá, viva o Ávila!

Bom, a Susi nos apresentou a ideia de fundarmos uma empresa de fato, e nós topamos na hora. Topar significava tb. dar aulas sem receber nada por elas durante um semestre, pois combinamos de abrir o curso em agosto, com o dinheiro economizado no semestre anterior.

Falar é fácil, já fazer…

Mas a gente aguentou firme, estávamos cheias de gás e sonhos para a empreitada. A gente não tinha a menor noção do tamanho do buraco.

É desse jeito mesmo, se a gente pensa muito, certamente não se enfia num assunto desses.

Eu então, era a menos consciente do grupo e não tinha nenhuma fonte de renda para me sustentar.

Rapidamente começaram a surgir alunos particulares, e assim pude até alugar um quarto de empregada num apartamento no Corte Cantagalo de uma das minhas alunas, Thais Rothier, e viver inteira e integralmente minha independência. Uma maravilha!!!

Com relação ao Baukurs, eu certamente era o azarão desse páreo de 4.

Ninguém nunca iria imaginar, que justamente eu seria a tal que sobraria depois de 40 anos…

 

 

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