Stollen e sua origem​

Stollen e sua origem

Nos países de cultura alemã, o Natal é o momento mais festejado do ano. É quando famílias e amigos se reúnem para juntos ensaiar corais e Autos de Natal, preparar enfeites natalinos, assar biscoitos e até fazer aquela faxina especial na casa: o famoso Weihnachtsputz.

No Baukurs, curso de alemão e centro cultural, já virou tradição nos últimos anos oferecermos sempre uma oficina para um grupo de no máximo 30 pessoas e juntos colocarmos a “mão na massa” para preparar o famoso Stollen.

O Stollen é um bolo cuja receitas vão muitas especiarias, nozes, amêndoas, passas, frutas cristalizadas e tantos outros ingredientes mais. É o “quitute” que não pode faltar na mesa de um natal tipicamente alemão.

Existem controvérsias entre as diferentes regiões da Alemanha, Áustria e Suíça sobre qual a melhor receita. É quase uma disputa a cada ano; “afinal, qual o melhor Stollen, qual o Stollen mais genuíno, qual o mais rico em sabores?” E isso levando-se em conta uma cultura que não prima pelo exagero.

Qual seria explicação para essa enorme importância dada e um simples bolo de Natal, parente próximo do Panetone Italiano ou do Christimas Cake Inglês?

Eu, particularmente penso que se dá pela própria história dessa iguaria. Na idade média, as especiarias eram bens caríssimos e para obtê-las, guerras foram travadas e novos continentes descobertos (nós brasileiros conhecemos bem essa história, não é mesmo?)

Relatos dessa época contam que a vida dos servos e das classes menos privilegiadas eram extremamente precárias. Em muitas regiões da Europa Central o único dia em que o servo não trabalhava era o Natal.

Em vários feudos, os senhores querendo demonstrar sua “enorme” generosidade cediam algumas de suas preciosíssimas especiarias aos servos nesse dia. Estes por sua vez, para aproveitar melhor as poucas especiarias que ganhavam, colocavam em um único bolo: o Stollen.

Condimentos e especiarias, como é sabido, ajudam a conservar doces, bolos e biscoitos, e o Stollen durava quase até a primavera

As famílias se reuniam à noite, para juntos degustar uma micro fatia dessa “Delikatesse”, quase esticando ao máximo esse momento de prazer.

E assim, de pouco em pouco, esse quitute repleto de ingredientes de origens de países mais tropicais inundava o imaginário das pessoas com o sol e o calor, no gélido e pelo inverno Centro-Europeu. É como se ao saborear esta iguaria o ambiente se tornasse mais caloroso.

A degustação de certo alimento nem sempre está ligada a saciedade objetiva, é muitas vezes a memória emocional que de fato traz o sabor. E talvez nos dias de hoje, em que o Natal está tão mais associado ao consumo, seja bacana registrar um pouco a simplicidade de poder apenas estar junto e compartilhar o prazer da degustação de um singelo bolo de natal. E como se isso tudo não bastasse, o Stollen vai muito bem com um cafezinho bem brasileiro. É quase uma simbiose perfeita. Que tal experimentar?

500g de farinha de trigo;
6 colheres de chá rasas de fermento químico;
200g de açúcar;
1 pitada de sal;
Aroma de amêndoa e raspa de limão;
2 colheres de rum;
1 pitada de cravo em pó;
2 ovos;
175g de manteiga;
250g de ricota fresca (passada na peneira);
250g de passas;
125g de nozes;
40g de fruta cristalizadas.

 

 

1) Misture a farinha e o fermento em pó. Peneire tudo sobre uma tábua.
2) Faça uma cavidade e coloque o açúcar, os aromas, os ovos e misture tudo.
3) Sobre essa massa coloque a manteiga, a ricota, as passas, nozes e as frutas cristalizadas.
4) Depois de assar pincele com manteiga e polvilhe com açúcar.

 

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